A ansiedade foi descrita pela primeira vez pelo cirurgião francês Augustin- Jacob no século XIX, como uma desordem da atividade mental. A partir do século XX começaram a surgir os primeiros casos clínicos de ansiedade infantil, diagnosticados pelo neurologista e psiquiatra Sigmund Freud. Já na década de 40 devido à grande incidência das crianças órfãs e a Segunda Guerra Mundial, houve um maior interesse pela temática.
De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 13 a cada 100 crianças são afetadas pelo transtorno e, em muitos casos, o distúrbio pode vir acompanhado de comorbidades como, por exemplo, a depressão. Os intercâmbios entre os genes e o ambiente desempenham um papel importante na etiologia do transtorno. É necessário mais pesquisas sobre, para investigar a interação de genes envolvidos na neurotransmissão , estresse e fatores ambientais.
Os transtornos de ansiedade na infância podem ser decorrentes de diferentes variáveis, como gênero, particularidades comportamentais, capacidade de adequação, introversão, dificuldades financeiras, rejeição dos pais, negligência, presença de alguma psicopatologia familiar.
O transtorno ansioso é caracterizado por sintomas como, sentimentos de medo e preocupação, assinalados por tensão ou desconforto derivado de antecipação de possível perigo. Medos excessivos, preocupações, agitação motora, irritabilidade, dificuldades de concentração, alterações no sono e apetite. Sintomas físicos como dores de barriga e de cabeça, taquicardia, sudorese, falta de ar, tensão muscular, fadiga e distúrbios do sono (insônia ou pesadelos), choro excessivo, comportamento evitativos de novas situações, apego excessivo aos pais, dificuldades de manter o foco nas atividades escolares, medo de animais, tempestades, separação, preocupações exageradas com o futuro ou o desempenho escolar. A ansiedade no contexto escolar também pode gerar prejuízos importantes na aprendizagem, inclusive no processo inicial da alfabetização.
Diferentemente dos adultos, as crianças não conseguem ainda expor seus sentimentos ou ter noção da existência deles. Muitas vezes não é validado pelos adultos, podendo ter seus medos irreconhecidos ou como exagerados.
Um ponto bastante relevante de se investigar é o contexto familiar em que a criança está inserida, tem sido visto como grande risco para transtornos na infância. Como conflitos conjugais, práticas disciplinares severas, exposição a ambientes destrutivos, tem levado ao aumento dos transtornos ansiosos. Os pais são a primeira estrutura formativa social da criança, onde é o berço e o espelho para suas relações futuras. A ansiedade infantil é capaz de suscitar importantes implicações para a formação e desenvolvimento das crianças. Se não tratada pode levar a danos curto e longo prazo.
Outro importante ponto agravante foi à pandemia da COVID-19, que impactou negativamente o aspecto socioemocional das crianças e a população em geral, devido à restrição de atividades, amigos e rotina.
A promoção de um ambiente saudável e acolhedor que, tenha interação afetiva entre pais e filhos é basal para minimizar danos do neurodesenvolvimento e promover um desenvolvimento saudável na primeira infância. As experiências positivas fortalecem o sistema biológico e neurobiológico em desenvolvimento, promovendo embasamento sólido cerebral para a aquisição de habilidades em geral e aptidão para a aprendizagem.
O tratamento para o Transtorno de Ansiedade infantil é subjetivo á depender do prejuízo funcional e do sofrimento da criança. Diante disso, é importante frisar que a psicoterapia é um tratamento indispensável, adjunto ou não dos fármacos, vai depender dos sintomas apresentados pela criança e o apontamento profissional.
Além disso, a participação em esportes e outras formas de atividades físicas promovem um desenvolvimento positivo. As crianças envolvidas em atividades físicas tendem a experimentar menos comportamentos destrutivos e diminuição de sintomas ansiosos e depressivos.
Visto que, os primeiros anos de vida são importantes para o desenvolvimento saudável, é de extrema relevância que os pais tenham um olhar atento á observar qualquer sinal e sintoma que fuja da “normalidade da criança”, pois quanto antes tratado, melhor qualidade de vida da criança.